“Que foste ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?” Pergunta Nosso Senhor aos seus discípulos acerca de São João Baptista. As Sagradas Escrituras ainda nos relatam, através dos santos evangelistas, que não nasceu de ventre de mulher homem maior do que o último profeta da Antiga Aliança. Por que Nosso Senhor se refere assim ao maior de todos os homens? São João Baptista não era um caniço agitado pelo vento das ocasiões. Sua fé firme não se deixava abater pelas novidades e pelas circunstâncias. O homem-caniço, por seu turno, é aquele que se adequa ao momento. É o sujeito casuista que não titubeia em mudar de posição, se essa mudança o favorece. Conclui-se, portanto, que o maior homem de todos os tempos certamente não seria um político, e mais certo ainda, não seria político brasileiro. Aqui só temos políticos-caniço – a notícia é de domínio público e quase cultural. São agitados pelos ventos das ocasiões e “governabilidades” com a finalidade de se garantir o aprimoramento das instituições e blá, blá, blá.
Na lógica politiqueira, que não combina com a fidelidade, para possibilitar as mudanças e as “reformas necessárias” é premente, também, espezinhar a ética e surrupiar a consciência. Devido a essas incertezas e maleabilidades dogmatáticas dos parlamentares, já virou uma espécia de crítica necessária bradar contra a classe política e seus desmandos. Denunciar seu encastelamento burocrático onde se engendram a si mesmo num maquinário onde a corrupção é a graxa necessária da sujeira que faz a indústria política moer. E moem nestas tristes moendas para revelar ante os nossos olhos atônitos a crise moral sem precedentes que há na história desse país. Moem os desvalidos da riqueza e da pobreza. Alimentam a miséria moral dos ricos e justificam a miséria miserável dos pobres que até mesmo da moral e bons costumes são privados.
Por certo a solução das mazelas da sociedade brasileira não está nos homens-caniços da política, bem diferentes do maior homens de todos, frise-se. Não se pode por a esperança nessa calhorda que ainda, custando o que custar, fazem mais graça do que qualquer humor escrachado e leviano de nossa triste televisão brasileira. Não é o político que forma o povo. Quem forma o povo é a Igreja! É ela quem tem autoridade para formar a sociedade e não seria exagero afirmar que a anarquia social que estamos vivendo é fruto da Igreja Católica no Brasil, em muitos locais, não ensinar mais as verdades eternas ou ensinar de maneira tíbia. Vide as Campanhas da Fraternidade que se preocupam mais com os homens do que com Deus. Para não enfadar demasiado, deixemos essa análise para outra ocasião e voltemos aos caniços, digo, aos políticos.
Em Brasília há um verdadeiro campo de caniços comandados pelo caniço-mor, o nosso mui honrado e imortal José Sarney. A república do Brasil, regime próprio para homens casuistas e amalandrados, parece que foi feita para ele. Imagino que a história política deste páis foi sendo construída para dizer: Sarney, eis-me aqui! Quando se escuta a palavra Brasília, ouve-se ao longe… S A R N E Y… quase como um ruído fantasmagórico. E praticamente desde seu fundamento até hoje o fantasma de Sarney ronda as esplanadas e a praça dos poderes.
No exemplo de estadista brasileiro eis como a palavra relativo se encaixa: Com a ARENA, dos militares, estava Sarney. Na redemocratização ele encarnou o espírito da nova república. Logo após, sempre pronto a aliar-se aos governos que se sucederam. Com Fernando Henrique, o comunista de universitè, lá estava o imortal dando sombra a seus intentos. Com o Lula, o comunista de cachaças e churrascos, lá estava imponente o espectro dos seus inconfundíveis bigodes. Com a mulher, a Rousseff, mais uma vez ele limpa os tapetes para o “puder” passar. Talvez até tenha encontrado um parentesco na Hungria. Não há caso de corrupção ou escândalo que o possa derrubar, não há democracia ou ditadura, cara-pintada ou monarquista. Ele nasceu para isso! Nasceu para ser serpente; dessas que sibilam em locas escuras e perigosas e que não escondem sua perversidade quando as vítimas saem indefesas na calada da noite. Serpente obscura do triste povo brasileiro. Dono do poder e razão de nossa república. Tirano do invisível. Engenheiro da sordidez humana. Caniço agitado pelo vento. Ele nunca estará no deserto, posto que não sabe o valor do deserto. Morrerá um dia nas plumas ilusórias do poder, pois com a vida não há democracia nem conchavos políticos, e nesse dia, inimigos e amigos chorarão sua morte. Sua última honra será a mentira: FOI UM GRANDE POLÍTICO BRASILEIRO. Dessa pataquada onde certamente não há lugar para grandes homens, como o foi São João Baptista.
Por Antônio Manuel